Madrid, Espanha 10/12/2009 09:32 (LUSA)

   
*** António Sampaio, da Agência Lusa ***
Madrid, 10 Dez (Lusa) - O Instituto Camões na Galiza já avançou com o processo de “sensibilização” para o acordo ortográfico que será complementado, a partir de Fevereiro, com acções de formação específica para docentes que aprendam o português na região.
Samuel Rego, responsável do IC na Galiza, explicou à Lusa que já começou a ser distribuído aos alunos material com as explicações científicas e os fundamentos do acordo, que está a ser canalizado para os docentes do IC, das Escolas Oficias de Idiomas e das Universidades da Corunha, Vigo e Santiago de Compostela.
Em Fevereiro arrancam as acções de formação, com professores vindos de Portugal.
Trata-se, segundo explicou, de aproveitar a implementação do acordo para consolidar o lobby para a introdução do português como língua estrangeira na Galiza. Já assim foi reconhecido na Extremadura espanhola.
“A grande virtude do acordo é que, além de promover a formação, constitui um momento único para pôr a língua portuguesa na agenda política espanhola, de instituições e autonomias em relação ao crescimento e reforço da língua portuguesa como língua estrangeira em Espanha”, explicou.
“É mais fácil se for demonstrado que a língua é tendencialmente mais uniformizada com a aplicação do acordo que já está vigente no Brasil desde Janeiro”, recordou.
Para alunos que se inscrevam pela primeira vez em cursos de português em 2010, passará a haver ortografias mais similares, independentemente de o professor ser brasileiro ou português.
“É um ano fantástico para quem se inscreva pela primeira vez num curso de português. A ortografia passa a gozar de uma uniformidade sem precedentes. Trata-se não da simplicidade mas de sistematicidade”, explicou.
“O sistema ortográfico de um professor brasileiro passa a ser comum ao de um professor português. Isto é uma mudança de paradigma”, sublinhou.
O processo de introdução do acordo ocorre numa altura em que os números reconhecem o crescente interesse em Espanha pela aprendizagem do português, especialmente na sua vertente mais profissional ou de fortalecimento de currículo.
Além do aumento de alunos nos cursos das escolas oficiais de idiomas e nas universidades, o próprio Instituto Camões tem registado níveis recorde de participação nos cursos que ministra.
Um aspecto positivo porque “demonstra a necessidade real de estes alunos virem a utilizar a língua portuguesa como uma ferramenta e instrumento essencial de acesso ao mercado laboral”, como explicou Samuel Rego.
Com a aplicação do acordo, a aprendizagem do português torna-se “ainda mais aliciante”.
“Desaparece o dilema de o aluno se inscrever num curso com norma de português de padrão europeu, ou de padrão brasileiro”, disse.
“Torna a língua portuguesa mais global. Com o acordo, é a primeira vez que se trabalha com oito países, de forma totalmente horizontal. Os países ratificaram o acordo de forma independente e chegar a este consenso demonstra maturidade em termos democráticos que nunca existiu”, sublinhou.
Ao mesmo tempo, Samuel Rego, recorda que “o último acordo ortográfico é de 1945” e que não se deve permitir que “o paradigma se transforme num paradogma”.
“É normal que haja uma actualização ortográfica. Não vem mal ao mundo se, depois de 64 anos, houver mudanças que aproximem a ortografia da fonética. Ainda há algumas dúvidas, mas sistematiza-se muito mais a língua”, frisou.
Lusa/Fim
Língua: Instituto Camões na Galiza já arrancou com processo de “sensibilização” do acordo ortográfico