Presidente
da República propõe "novo olhar sobre a escola", com figura
professor prestigiada
Lisboa, Portugal 05/10/2007 13:51 (LUSA)
Lisboa, 05 Out (Lusa) - O Presidente da República propôs
hoje um "novo olhar sobre a escola", uma escola ligada à
comunidade, em que os pais estejam envolvidos de forma mais
activa e participante e em que a figura do professor seja
prestigiada.
"Gostaria de propor aos portugueses um novo olhar sobre a
escola, sobre o modelo escolar construído à luz da ideia da
inovação social", afirmou o Presidente da República, Aníbal
Cavaco Silva, na sua intervenção da cerimónia das
comemorações do 97 anos da proclamação da República.
Sublinhando não estar a dirigir-se em especial ao Governo e
à Assembleia da República, mas "a todos os portugueses",
Cavaco Silva defendeu a implementação de "novas
estratégias, conceitos e práticas", considerando que é
possível inovar "nos mais variados campos, incluindo a
educação".
"Temos, de facto, de adoptar uma nova atitude perante a
escola", insistiu, classificando como "imperioso" ter a
consciência de que "o investimento mais reprodutivo que
poderemos fazer é nas crianças e nos mais jovens".
Essa consciência, continuou o Presidente da República, tem
de existir "antes de mais" nos pais, a quem "não basta
adquirir livros e manuais escolares, assistir de vez em
quando a reuniões de pais ou transportar diariamente os
filhos à escola".
Desta forma, é preciso acabar com a ideia de que a educação
é uma tarefa que "compete sobretudo aos outros" e deixar de
encarar as escolas como "fábricas de ensino", acrescentou o
Presidente da República.
"Há toda uma cultura de autoexigência que deve ser
estimulada nos pais, levando-os a envolver-se de forma mais
activa e participante na qualidade do ensino, na
funcionalidade e na conservação das instalações escolares,
no apoio ao difícil trabalho dos professores", referiu.
Os professores mereceram, aliás, uma nota especial no
discurso do Presidente da República, que defendeu a
necessidade de prestigiar e acarinhar a figura do
professor.
"Há que promover um verdadeiro sentimento de comunidade em
relação à escola e ao sucesso educativo (…). Esse
envolvimento pressupõe também, como é natural que a figura
do professor seja prestigiada e acarinhada pela comunidade,
o que requer, desde logo, a estabilidade do corpo docente",
salientou Cavaco Silva.
Além disso, acrescentou, a dignidade da função docente
assenta também, em larga medida, "no respeito e na
admiração que os professores são capazes de suscitar na
comunidade educativa, junto dos colegas, dos pais e dos
alunos".
O papel da comunidade foi também destacado por Cavaco
Silva, que defendeu que as autarquias devem assumir maiores
responsabilidade relativamente aos estabelecimentos de
ensino e a entrega gradual da gestão dos estabelecimentos
de ensino "às suas comunidades de pertença".
"Além das autarquias, as organizações não-governamentais da
sociedade civil e as empresas da região devem ser chamadas
a desempenhar um papel activo neste processo de inovação
social, na linha de algumas experiências que já vêm sendo
realizadas com sucesso em certos pontos do país", declarou,
insistindo que "há que promover um verdadeiro sentimento de
comunidade em relação à escola e ao sucesso educativo".
Na sua intervenção, que não foi escutada pela ministra da
Educação que, ao contrário de outros ministros do executivo
de José Sócrates, não esteve presente nas comemorações dos
97 anos da proclamação da República, Cavaco Silva alertou
ainda para que as deficiências na educação das crianças e
dos jovens é "a principal causa no nosso atraso
estrutural".
"Tratámos a escola como um problema de governo e não como
um problema de regime. E concentrámo-nos em demasia na
relação entre o Estado e a escola, sem atender ao papel e
às responsabilidades próprias da sociedade civil",
lamentou, preconizando uma "estratégia nacional para a
educação das novas gerações".
"Sei que não é fácil pormos em prática este modelo de uma
escola ligada à comunidade. Sei que é necessário vencer
constrangimentos de diversa ordem para alcançarmos este
ideal. A República também foi um ideal. Por isso, acredito
na vontade e no empenho dos poderes públicos, das
autarquias, das famílias, dos professores e da sociedade
civil", pediu Cavaco Silva.
VAM.
Lusa/Fim