Fernanda
Costa escolhida para criar estrutura de coordenação da
língua Portuguesa nos EUA
Joanesburgo, África do Sul, 27 Set (Lusa) – A nova
coordenadora do ensino do Português nos Estdos Unidos,
Fernanda Costa, disse à Agência Lusa estar «entusiasmada
com o novo desafio» de criar a tão ansiada estrutura de
coordenação do ensino da língua no país.
Depois do êxito obtido na criação de idêntica estrutura na
África do Sul, onde já trabalha há quatro anos, Fernanda
Costa salientou que a sua nova missão se baseia no
princípio estabelecido pelo governo português, o mesmo que
tem norteado a sua acção em todos os países onde exerceu
funções, de “tratar a língua e o seu ensino da mesma forma
em todos os países e continentes”.
A nomeação da coordenadora do ensino na África do Sul para
criar uma estrutura de coordenação nos 19 Estados da costa
leste dos EUA – onde as críticas têm sido uma constante por
parte de docentes e encarregados de educação – surge cerca
de dois meses depois do secretário de Estado-adjunto e da
Educação, Jorge Pedreira, ter declarado que o governo de
Lisboa “está apostado no relançamento do ensino da Língua
Portuguesa no estrangeiro”.
Jorge Pedreira, que participou em 23 de Julho último no XVI
Encontro de Professores de Português dos Estados Unidos e
Canadá na ilha do Faial, Açores, garantiu na altura que o
executivo ia resolver “a muito curto prazo” o problema da
falta de preenchimento das vagas de coordenação do ensino
do Português nos Estados Unidos.
O governante salientou que “o risco da perda de alunos nas
escolas dos Estados Unidos por falta de coordenação não
pode continuar”.
A nova coordenadora disse à Lusa, em Joanesburgo, pretender
criar exactamente isso: “uma rede qualificada, com
professores habilitados e profissionais e com uma forte
componente de formação de professores, à imagem da que foi
criada na África do Sul com o sucesso que lhe tem sido
reconhecida”.
Na África do Sul, Fernanda Costa encontrou, em 2004, uma
realidade na qual a Língua Portuguesa tinha fortes bases e
possibilidade de crescimento e implantação, com cerca de
400 mil emigrantes portugueses e seus descendentes e um
universo de cerca de dois milhões de lusófonos, com
destaque para moçambicanos estabelecidos na África do Sul,
mas também angolanos e grupos mais pequenos de outras
nacionalidades.
A rede então existente contava já com 2.800 alunos
luso-descendentes e um elevadíssimo número de alunos dos
PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) que
gradualmente começaram a beneficiar do programa, à medida
que o Português era inserido nos currículos sul-africanos.
Hoje esses números cresceram para 5.600 alunos
luso-descendentes enquanto os considerados até há pouco
tempo “lusófonos” registaram também um crescimento
assinalável, ultrapassando os sete mil.
“Dada a localização estratégica da África do Sul, no âmbito
da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África
Austral), ao lado de Moçambique e bem perto de Angola, o
Português tem potencial para abranger mais de 15 mil alunos
em pouco tempo”, declarou a coordenadora.
Actualmente são leccionados na África do Sul – nas
províncias de Gauteng, Kwazulu-Natal e Mpumalanga – 271
cursos de Português por 32 professores oriundos de Portugal
mas contratados localmente e muitos professores de Angola e
Moçambique que recebem formação local, no Centro de
Recursos, situado no Consulado-Geral de Portugal em
Joanesburgo.
O número de professores contratados localmente através de
concurso aberto em Portugal aumentará em 2009 para 37,
disse a coordenadora em vésperas da sua partida.
A coordenação sul-africana é também responsável por 3.400
alunos que estudam Português na Namíbia, país onde está a
decorrer um curso para diplomatas namibianos, que foi
negociado pelo secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas, António Braga, no decorrer da sua mais recente
visita àquele país vizinho de Angola.
A filosofia prevalecente na edificação da rede do ensino na
África do Sul, destacou Fernanda Costa, é a de que “numa
altura em que se fala da internacionalização da língua, não
faz sentido diferenciar entre lusófonos e
luso-descendentes, pelo que os dois programas anteriormente
existentes e que eram financiados separadamente pelos
Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros,
através da Cooperação, foram unificados sob a égide do
Instituto Camões”.
Na África do Sul, a coordenadora, agora de “malas aviadas”
para os EUA, destacou também que estão em marcha vários
cursos para quadros dos Serviços de Polícia Sul-Africanos
(SAPS), uns para auxiliar os agentes a melhor contactarem
com as populações que falam Português e outros para equipar
os efectivos (cerca de 500) a comunicarem em Português
durante o Mundial de Futebol Fifa, que decorrerá em 2010 na
África do Sul.
- agência LUSA, 27 SET 08