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Lisboa, 21 Mai (Lusa) - A nova rede de ensino do Português no estrangeiro, que em 2010 começará a ser lançada pelo Instituto Camões, vai ser alargada ao Canadá, Estados Unidos e a Venezuela, disse hoje o secretário de Estado das Comunidades.
"A ambição é fazer a projecção da rede e lançá-la em países como o Canadá, Estados Unidos, Venezuela e em alguns países de África, nomeadamente África do Sul, Namíbia e Suazilândia", disse António Braga, lembrando que actualmente Portugal apenas se responsabiliza pelo ensino na Europa.
O secretário de Estado falava após a aprovação hoje em Conselho de Ministros da nova lei orgânica do Instituto Camões, dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que alarga a tutela deste instituto ao ensino do Português ao nível do básico e do secundário, até agora sob alçada do Ministério da Educação.
"Estão criadas as condições para a transição [do Ministério da Educação para o Instituto Camões] decorrer durante este ano e no próximo começarmos a lançar as bases para uma nova rede de ensino de Português no estrangeiro", adiantou António Braga.
O secretário de Estado explicou que, nomeadamente, nos Estados Unidos e Canadá, já está a ser feito o levantamento das necessidades de cursos e professores, escusando-se a avançar quantos professores serão necessários para suportar o alargamento da rede.
"O esforço de lançamento da rede é para responder à procura das comunidades portuguesas", frisou.
O Governo aprovou hoje a reestruturação do Instituto Camões, através da integração na rede de todos os graus de ensino da língua portuguesa no estrangeiro e com a concessão de maior autonomia financeira para reforço das receitas próprias.
CFF.
Lusa/fim
Consulados, ensino do Português e movimento associativo são questões que os emigrantes querem ver resolvidas
Lisboa, 29 Out (Lusa) - O funcionamento dos consulados, o ensino do português e o movimento associativo são alguns problemas que representantes de portugueses no estrangeiro esperam que o secretário de Estado das Comunidades resolva na próxima legislatura.
"As questões relacionadas com o ensino deveriam ser uma das questões prioritárias", disse à Agência Lusa o presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), Coimbra de Matos.
Para o dirigente associativo, o problema dos recursos humanos no consulado do Luxemburgo, "que provoca filas enormes à porta desde cedo", o apoio ao associativismo, questões ligadas à pobreza e o recenseamento eleitoral são outros assuntos que devem merecer a atenção do Governo.
Quanto à recondução de António Braga na pasta da Emigração, Coimbra de Matos disse não estar "de todo descontente".
"Foi uma pessoa que soube ouvir e esteve atento aos problemas. Poderá prosseguir com alguns trabalhos que já fez", afirmou.
Pelo contrário, a presidente da Federação das Comunidades Portuguesas na Holanda, Teresa Heimans, mostrou-se "surpreendida" com a recondução de António Braga.
"Surpreendeu-me. Nos encontros que tive com ele, informou-nos de que não teria um segundo mandato", disse à Lusa.
"Para vir outro que faça menos ou que não tenha atenção para com as comunidades, não acho mal que continue o António Braga, apesar de o seu mandato não ter satisfeito nem 50 por cento das necessidades da comunidade", afirmou Teresa Heimans, também conselheira das Comunidades Portuguesas.
A dirigente associativa apontou as questões sociais que atingem as comunidades, como os problemas dos trabalhadores sazonais, a falta de funcionários nos consulados e os apoios ao movimento associativo como as áreas prioritárias para a próxima legislatura.
O presidente da Associação dos Autarcas Portugueses em França (CIVICA), Paulo Marques, disse à Lusa ser "interessante que seja o mesmo secretário de Estado das Comunidades".
"Assinámos um protocolo com o secretário de Estado para desenvolver a articulação entre Portugal e os autarcas de origem portuguesa em França. Esperemos ter novamente um eco positivo nas nossas organizações", referiu. Paulo Marques apontou ainda a falta de diálogo do Governo português como um dos pontos fracos da anterior legislatura.
"Tem de haver mais articulação entre a Secretaria de Estado das Comunidades, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e outros ministérios", defendeu, dando o exemplo do Governo francês, onde essa articulação é feita.
Por seu lado, o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas (STCDE), Jorge Veludo, disse não ter ficado surpreendido com a recondução de António Braga.
"Não ficámos surpreendidos com a recondução, quer do ministro, quer do secretário de Estado", afirmou.
Jorge Veludo disse ainda que o sindicato "não está satisfeito com a orientação que o Governo vem assumindo nos últimos tempos, nomeadamente procurando remeter o enquadramento legal dos trabalhadores dos serviços externos para a legislação local".
"É um poço sem fundo", afirmou o sindicalista, prometendo que irá lutar "com todos os meios à disposição" contra a revisão para o enquadramento legal.
CFF/MCL.
Lusa/fim